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Securitização sem complicação: o que é, quem participa e como ler os números do painel.
O que é securitização
Securitizar é transformar recebíveis, isto é, valores que alguém tem a receber no futuro (parcelas de um financiamento, duplicatas de vendas a prazo, aluguéis, contratos do agronegócio), em títulos que podem ser comprados por investidores. A empresa que tinha os recebíveis antecipa o dinheiro; o investidor passa a receber os pagamentos, e assume o risco de eles não acontecerem.
Os principais veículos no Brasil
FIDC: Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Um fundo que compra recebíveis (os "direitos creditórios") e vende cotas aos investidores. É regulado pela CVM, hoje pela Resolução CVM 175 e seu anexo sobre FIDCs. Costuma ter classes de cotas com prioridades diferentes: a sênior recebe primeiro, a subordinada absorve as primeiras perdas e funciona como um colchão de proteção para a sênior. Todo mês cada FIDC envia à CVM um informe com sua carteira, e é esse informe que alimenta o nosso painel.
CRI: Certificado de Recebíveis Imobiliários
Título emitido por uma companhia securitizadora com lastro em créditos imobiliários, como aluguéis, financiamentos de imóveis ou vendas de unidades.
CRA: Certificado de Recebíveis do Agronegócio
Parecido com o CRI, mas com lastro em créditos ligados ao agronegócio, como vendas de insumos, grãos ou financiamentos a produtores.
Quem participa
- Cedente
- Quem vende os recebíveis ao fundo ou à securitizadora, por exemplo uma varejista ou uma financeira.
- Sacado ou devedor
- Quem deve pagar o recebível, por exemplo o cliente que comprou a prazo.
- Administrador
- Instituição responsável pelo funcionamento do fundo perante a CVM e os cotistas.
- Gestor
- Quem decide quais recebíveis comprar, dentro das regras do regulamento.
- Custodiante
- Quem guarda e confere os documentos dos recebíveis e controla os pagamentos.
- Securitizadora
- Companhia que emite CRIs e CRAs a partir dos recebíveis que adquire.
Como ler o painel
- Patrimônio líquido (PL)
- O valor de tudo o que o fundo tem, descontadas as obrigações. É o "tamanho" do fundo.
- Direitos creditórios
- Os recebíveis que estão na carteira do fundo.
- Com e sem aquisição substancial de riscos
- Indica se o fundo assumiu de fato o risco de o devedor não pagar (com) ou se esse risco ficou, em boa parte, com o cedente (sem).
- Inadimplência
- Créditos vencidos e não pagos, em % dos direitos creditórios.
- Provisão (PDD)
- Reserva contábil para perdas esperadas. Provisão maior que a inadimplência indica que o fundo espera perdas além dos atrasos atuais.
- Rating SCR
- Classificação de risco do devedor no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central, de AA (menor risco) a H (maior risco).
- Taxa de desconto
- O "desconto" aplicado sobre o valor do recebível na compra, expresso em % ao ano. É uma medida do retorno bruto da carteira, antes de perdas e custos.
- Concentração por cedente
- Quanto da carteira depende de um único cedente. Concentração alta deixa o fundo mais exposto a problemas de uma só empresa.
- Captação líquida
- Entradas de dinheiro (novas cotas) menos saídas (resgates e amortizações).